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Salat al-Fatih Explicada: Uma Defesa Erudita de Sidi Ahmed Skiredj

Skiredj Library of Tijani Studies

Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso. Que as bênçãos e a paz estejam sobre nosso mestre Muhammad, sua família e seus companheiros.

Entre as litanias mais debatidas no caminho Tijani está a Salat al-Fatih, a célebre oração de bênçãos sobre o Profeta Muhammad. Com o tempo, surgiram mal-entendidos e acusações acerca de sua origem, seu significado e sua recompensa. Uma das respostas eruditas mais detalhadas a essas alegações vem do grande sábio tijani marroquino Sidi Ahmed ibn al-Ayashi Skiredj, em sua obra Al-Iman al-Sahih.

Este artigo expõe os fundamentos de sua defesa da Salat al-Fatih e esclarece seu significado teológico segundo os princípios clássicos do sunismo e os ensinamentos da tradição Tijani.

O que é a Salat al-Fatih?

A Salat al-Fatih é uma fórmula de bênçãos sobre o Profeta Muhammad que diz:

Ó Allah, envia bênçãos sobre nosso mestre Muhammad,o abridor do que estava fechado,o selo do que veio antes,o auxiliador da verdade com a verdade,e o guia para o Teu caminho reto,e sobre sua família, segundo o seu imenso valor e seu tremendo grau.

No caminho Tijani, esta oração ocupa um lugar especial entre as litanias de lembrança. Contudo, ela permanece, em essência, uma oração sobre o Profeta, algo fortemente incentivado no Alcorão:

“Em verdade, Allah e Seus anjos enviam bênçãos sobre o Profeta.Ó vós que credes, enviai bênçãos sobre ele e saudai-o com paz.”(Alcorão 33:56)

A crítica histórica contra a Salat al-Fatih

Alguns críticos alegaram que os seguidores do caminho Tijani creem que a Salat al-Fatih faz parte da fala eterna de Deus e que sua recompensa só é concedida àqueles que creem nisso.

Essa acusação foi vigorosamente rejeitada por Sidi Ahmed Skiredj, que respondeu em detalhe. Segundo ele, essas críticas resultam de um mal-entendido tanto da terminologia sufi quanto da teologia sunita acerca da fala divina e da inspiração.

Compreender a fala divina na teologia sunita

Um elemento central na defesa de Skiredj diz respeito à natureza da fala divina.

A teologia sunita sustenta que:

Allah é eternamente descrito como Aquele que fala.

O Alcorão é parte da fala de Allah.

Mas a fala de Allah não se limita apenas ao Alcorão.

O próprio Alcorão é uma manifestação da fala divina, mas o atributo da fala em Allah é eterno e irrestrito. A teologia clássica também afirma que Allah falará a Seus servos na Outra Vida, o que confirma que a fala divina é contínua.

Assim, Skiredj argumenta que reconhecer que uma afirmação ou inspiração se origina da fala divina não significa que seja Alcorão e não implica profecia.

Inspiração não é revelação

Outra distinção importante enfatizada por Skiredj é a diferença entre:

A revelação aos profetas, que terminou com o Profeta Muhammad

A inspiração aos santos, que continua

A tradição islâmica reconhece amplamente que pessoas retas podem receber inspiração, discernimento espiritual ou sonhos verídicos.

Esse conceito aparece ao longo da história do sufismo. Grandes santos relataram experiências de comunicação espiritual, seja por meio de sonhos, seja por inspiração interior. Tais experiências não constituem revelação e não acrescentam nada ao Alcorão nem à lei islâmica.

Skiredj explica, portanto, que, se a Salat al-Fatih for entendida como vinda por inspiração espiritual, isso não contradiz a doutrina islâmica.

Exemplos da história do sufismo

Para ilustrar esse princípio, Skiredj remete a figuras bem conhecidas da espiritualidade islâmica.

Por exemplo, Abu al-Hasan al-Shadhili, um mestre sufi amplamente respeitado, incluiu numa de suas célebres súplicas um pedido a Allah por uma visão acompanhada de conversação. Se tal comunicação espiritual fosse impossível, os santos não teriam falado disso nem a teriam buscado.

Relatos de pessoas retas recebendo orientação em sonhos ou em estados de discernimento espiritual são abundantes na literatura islâmica clássica. Essas experiências são entendidas como parte da generosidade divina para com Seus servos.

Salat al-Fatih e a questão de sua origem divina

Segundo Skiredj, alguns estudiosos dentro da tradição Tijani descrevem a Salat al-Fatih como tendo origem no mundo do invisível. Isso significa que ela é entendida como uma forma de generosidade divina concedida por inspiração, e não como uma composição humana.

No entanto, ele enfatiza vários pontos-chave:

Não é Alcorão.

Não é revelação profética.

Não introduz uma nova lei religiosa.

Em vez disso, é uma fórmula de bênçãos sobre o Profeta, semelhante a muitas outras orações transmitidas ao longo da história islâmica.

Compreendê-la desse modo não diminui a majestade de Deus, nem contradiz qualquer princípio da crença sunita.

Por que algumas pessoas recebem maior benefício

Outro mal-entendido abordado por Skiredj diz respeito à ideia de que a recompensa da Salat al-Fatih depende da crença.

Ele explica que, na prática sufi, muitas formas de lembrança possuem diferentes níveis de benefício espiritual. Esses dependem de fatores como:

sinceridade

compreensão

intençãoXXXXX

prontidão espiritual

Os estudiosos da espiritualidade há muito ensinam que os segredos mais profundos do dhikr (recordação) só são experimentados por aqueles que deles se aproximam com entendimento e disciplina adequados.

Isto não invalida o próprio dhikr (recordação). Simplesmente explica por que alguns indivíduos experimentam efeitos espirituais mais profundos do que outros.

A Importância da Autorização na Prática Sufi

Em muitas tradições sufis, certas litanias são transmitidas mediante autorização (ijâzah) de um mestre. Isto não é uma restrição do próprio dhikr (recordação), mas um método de assegurar o entendimento correto e a preparação espiritual.

Skiredj explica que a luz espiritual flui através da transmissão e da orientação. Por esta razão, muitos estudiosos enfatizaram o aprendizado das litanias no seio de um caminho espiritual estruturado.

Este princípio existe em muitas disciplinas islâmicas, incluindo a recitação do Alcorão e a transmissão do hadith.

A Intenção por Trás da Recitação de Salat al-Fatih

Outro conceito importante discutido por Skiredj é a intenção por trás da oração.

Ao recitar Salat al-Fatih, o crente reconhece a sua incapacidade de louvar adequadamente o Profeta Muhammad. A oração torna-se, portanto, um pedido de que o próprio Allah abençoe o Profeta com a bênção perfeita que só Ele pode conceder.

Neste sentido, a oração reflete humildade e reconhecimento da perfeição divina.

O Significado Espiritual da Oração

O significado mais profundo de Salat al-Fatih reside no seu reconhecimento do Profeta Muhammad como:

o abridor da orientação

o selo da profecia

o defensor da verdade

o guia para a senda reta

Enviar bênçãos sobre ele fortalece o amor pelo Profeta e aumenta a ligação espiritual ao seu exemplo.

O Lugar de Salat al-Fatih na Devoção Islâmica

Em última análise, Salat al-Fatih pertence à tradição mais ampla de enviar bênçãos sobre o Profeta, um ato universalmente recomendado no Islã.

Os muçulmanos, ao longo da história, utilizaram muitas fórmulas para este fim. Cada uma reflete devoção, gratidão e amor pelo Mensageiro de Allah.

Desta perspetiva, Salat al-Fatih é simplesmente uma entre muitas expressões dessa devoção.

Conclusão

A defesa apresentada por Sidi Ahmed Skiredj mostra que o debate em torno de Salat al-Fatih se baseia, em larga medida, em mal-entendidos.

Segundo a sua explicação:

A oração não pretende ser Alcorão.

Não pretende ser revelação profética.

Não introduz nova lei religiosa.

Em vez disso, representa uma fórmula espiritual de bênção sobre o Profeta, compreendida no quadro da inspiração sufi e da teologia sunita clássica.

Quando abordada com conhecimento e equidade, Salat al-Fatih aparece não como um problema teológico, mas como parte da rica tradição de devoção ao Profeta Muhammad que existiu ao longo de toda a história islâmica.

Que Allah aumente em nós o amor pelo Seu Mensageiro e nos conceda sinceridade ao enviar bênçãos sobre ele.

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Esta tradução pode conter imprecisões. A versão inglesa de referência deste artigo está disponível com o título Salat al-Fatih Explained: A Scholarly Defense from Sidi Ahmed Skiredj